No período que fiquei perdida e
sozinha com circunstâncias e sombras de seres que simplesmente me
carregavam por caminhos desconhecidos, tive a impressão que era o
passado me carregando. E na verdade o silêncio era quem pesava, fui
obrigada a encarar quem eu era, em reflexos que nunca existiram. Fui
obrigada a andar em pés que nunca pareciam pertencer a mim. E
encarar realidades completamente opostas a face dos sonhos.
Por muitos minutos percorria árvores
e me escondia em buracos distintos para fugir do eu, que acreditava
estar logo atrás de mim. E como um cachorro que corre atrás de seu
rabo, voltei para onde eu nunca deveria ter dado partida. Eu me vi,
vi meu reflexo perdido em um outro corpo, como uma sombra que some
num sol de meio dia. E como um pedaço meu que nunca me acusaria, eu
me vi sem amarras e me vi mais uma vez solta em meio de um lugar
qualquer e que nunca mais eu me sentiria presa a nada que se
relacionasse a este reflexo desigual. Como um corpo acostumado com a
ausência de sentidos. Senti que nada mais me prenderia aquela
situação ou ambiente. Mas mesmo que você consiga encarar essa
realidades ausente de sentido, nada é tão fácil de se negar e
abandonar. Não quando se sabe que aquela sombra lhe pertence assim
como sua ausência. Abandonar-se não é fácil.
Por dias, você se leva a acreditar
que toda escolha é precitada é fácil, mas começa a notar que essa
preferência te faz pegar o caminho do qual você nunca deveria ter
saído. Começa a encarar a dor se tornando real em momentos em que
você negou todos os avisos. E no meu destino você deveria ter ido
quando te deixei ir pela primeira vez, no silêncio da negação. Mas
você ficou. E fiz o que você não faria se estivesse no meu lugar,
neguei. Deixei o silêncio ser quebrado por um corpo que ainda
pulsava dentro. Deixei que seu coração me negasse e não me
pregasse mais peças. Cortei seu corpo em pedaços suficientes para
que a lembrança se perde-se dentro de mim. Esperei cada membro
esfriar a seu modo, para mostrar a verdadeira razão de nos unirmos
em um só corpo. Deixei que você me marcasse com seu sangue, a única
coisa que realmente mostraria a nobreza de seu eu. E com a água
quente, deixei que esta marca fosse levada, enquanto estava de
joelhos chorando por duas perdas num mesmo dia. Deixava com que a
negação me curasse e me mostrasse outro caminho. Deixei que você
me abandonasse de uma forma na qual nunca explicaria, como deveria
ser.
1 comentários:
Este conto é bem triste. Às vezes precisamos disso, né? E isso reflete em como vc é uma ótima escritora. Não consigo ler textos seus assim e pensar q a autora é aquela menina linda com aquele sorriso tão gostoso, rs. Bjos, minha querida.
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